domingo, 8 de fevereiro de 2009

FÉRIAS DE MIM*

Às vezes, eu me canso. E não é só o cansaço do trabalho, é também o da minha dedicação continuada ao ócio. Não é apenas a exaustão de uma rotina de compromissos, é ainda a imprevisibilidade do que me espera num dia vazio. É o resultado das noites sem dormir e dos dias em que não consegui abrir os olhos.

Das longas caminhadas ao sol e após horas estirada numa rede na sombra, costumo chegar ofegante. Falta-me o ar. Suor. Dor no peito.

Trago nos ombros – cada vez mais arqueados – o peso das grandes obrigações e das pequenas irresponsabilidades. É a fadiga de quem corre contra o tempo e de quem vê, sem reação, o tempo correr contra.

Sinto-me sem forças para continuar e sem energia para parar. Seguir em frente ou voltar atrás, tanto faz. Será quase um esforço sobre-humano para quem traz desde sempre o cansaço da vida toda - a que se foi e a que há de vir.

Quando me repito em antigos dilemas existenciais e quando me inauguro em novos conflitos pseudofilosóficos, eu me canso – e aos outros também, mas não mais que a mim. E sigo cansando-me, cotidianamente, com meu repertório de acalorados discursos insensatos e com a lucidez apática da minha mudez.

Ah, como estou farta de tantos sonhos e não ter planos. De procurar tanta gente e não me encontrar em nenhuma delas. De me livrar (de tudo) e de me prender (a nada). De correr e não sair do lugar. De parar e continuar indo. De estar do lado certo e ir sempre na contramão. De inspirar. De expirar.

Tudo isso me cansa. É necessário dar um tempo de mim. Preciso de férias: pernas para o ar e para que te quero. Volto (a mim) em breve.


*Publicada originalmente no Mimeographo

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

AH, NERUDA...


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

SABE A GAROTA DO COPO D'ÁGUA?


- Sei.
- Se parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?


(Le Fabuleux Destin D'Amélie Poulain)

domingo, 24 de agosto de 2008

"SÃO PAULO, SÃO PAULO, QUANTA DOR!"


Para Thais Torres, a outra mina de Sampa



Desculpa, se eu ainda continuar chorando baixinho, se eu precisar do colo de um desconhecido para me amparar, se eu passar o resto dos meus dias me perguntando se foi uma distração toda essa solidão agora.

Vou passar a tomar café amargo numa tentativa desesperada de tentar entender essa vida doce, depressa demais para o meu desgosto.

Perdoa-me o egoísmo de não saber como vou fazer sem você aqui iluminando com seu sorriso os meus dias nublados em São Paulo. Ou para onde vou correr se, de repente, começar a garoar. E quando fizer frio? Você sabe como São Paulo pode ser gelada mesmo aos 35ºC... Vou pedir calor humano pra quem? Que abraço vai me fazer sentir em casa?

Dos nossos sonhos, dos nossos planos, das nossas piadas-internas? Faço quê? Guardo tudo para mim ou espalho para o resto do mundo?

Conversas dentro do ônibus pela Via Dutra voltando para o aconchego da nossa família e dos nossos velhos amigos, telefonemas no meio da tarde para saber se está tudo bem, e-mails que não chegarão mais às 13h57min, nossas conversas off-line de madrugada no MSN... Falamos tanto, abrimos o coração, confessamos os medos, revelamos os sonhos, mas ainda havia tanto a ser dito. E, agora, será que está tudo pairando no ar?

Estou com medo. De repente, me sinto mais uma na multidão de solitários, sem rumo, perdidos na cidade grande e cinza. Mas, olha, te prometo que usarei mais rosa, sua cor preferida em todos os tons. Será que assim você vai continuar me fazendo companhia?

Mas, para além da inevitável lamentação, fique principalmente com minha gratidão. Por ter me ajudado a sobreviver à "aglomerada solidão" de São Paulo, pela vida de turista que levávamos aqui: visita aos museus, passeios nos parques, caminhadas pela Paulista, fim de tarde na livraria, comprinhas no shopping e por me apresentar a Praça Benedito Calixto. Te agradeço por me avisar das comédias românticas na televisão, quando eu não queria sair de casa, por ter sido minha referência de família e por não me levar à Rua 25 de março. Foi legal ter você aqui para vibrar com minhas vitórias e por comemorar o seu sucesso comigo. Por ter me deixado sempre à vontade para te abraçar e dizer o quanto eu te adorava.

Obrigada por junto comigo ter desvairado com a paulicéia, dançado até o dia amanhecer, curtido o bom e velho rock’n’roll, e desafinado no karaokê cantando “Like a Virgin”. Além da saudade, fica a certeza de que ser feliz fez parte do nosso show, “mina”!

domingo, 22 de junho de 2008

POR ONDE ANDAM MEUS OLHOS

Se não lhes conto, eu lhes mostro, meninos, o que vi.
Visite:

terça-feira, 17 de junho de 2008

CARTOLA EXPLICA...

"Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito"

(Peito Vazio - Cartola e Elton Medeiros)

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

LAVANDO A ALMA

Não sei o que há com essa gente que não chora. Meninos que não choram e meninas que só choram na tensão pré-menstrual. Não é possível que não sintam. Não é possível que não dói. Não é possível que não sejam tomados por uma alegria sem fim, daquelas em que rir apenas não basta. Nem que tenham se vestido de uma armadura invencível, inatingível e inabalável, que não se permitam ter os olhos marejados.

Houve uma época em que eu achava que bom era ser essa gente que não chora à toa. Queria era me esconder por trás de uma cara amarrada e um coração de pedra. E não ser chamada de manteiga derretida por chorar até em comercial de margarina. Nos últimos tempos, até deixei que as lágrimas secassem e descobri que não chorar só faz aumentar a dor e deixa contidas felicidades extremas.

É por isso que vivo por aí chorando pitangas, alegrias, tristezas, raivas, medos, emoções alheias, coisas minhas, saudades eternas, frustrações prévias, sucessos passados, vitórias imediatas, amores inventados e desamores reais.

Prefiro desatar o nó da garganta e lavar a alma.

Publicado originalmente no Mimeographo

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

ERA OUTRO DIA MESMO

“Sempre que chove, tudo faz tanto tempo...”
M.Quintana



Era outro dia mesmo que a gente virava copo até a noite virar dia, na esquina virando para a esquerda. E a gente ia virando poeta, virando rock star, virando romântico, virando do avesso, virando criança, virando notícia na vizinhança. Mas a gente sempre virava o jogo, a mesa, a página e as costas. A conta chegava, o salário não dava, mas a gente ia se virando até virar o mês, até virar o cartão. Era outro dia mesmo, mas agora faz tanto tempo. É que em São Paulo chove demais e tudo vira saudade.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

PROMESSA DE ANO NOVO


sábado, 1 de dezembro de 2007

ORGULHOSAMENTE, EU INDICO...



É com raro talento que ele passeia entre o conto, a crônica e essas versões da vida real que poderiam ser de qualquer um. Até a minha ou a sua, numa daquelas cenas tão nossas, mas que insistem em nos fazer personagens de um escritor que, ora numa prosa doce, ora numa prosa cortante, vai abrindo brechas para escancarar almas comuns confrontadas pelo limite entre razão, emoção, sensibilidade e loucura.



Meias Vermelhas e Histórias Inteiras, publicado pela editora Vira-Latas, é o primeiro livro do meu amigo e companheiro do adormecido Mimeographo, Marcos Donizetti. O lançamento será nesta segunda, dia 3, às 17 horas, no Bar Genial, na Vila Madalena, na Paulicéia. Quem puder ir - além de descobrir que o autor é um gato (como ele me recomendou dizer) – ainda pode levar (se comprar, é claro!) um exemplar autografado. Se você mora em outras terras, não é motivo para deixar de ler: Meias Vermelhas e Histórias Inteiras já está sendo vendido aqui.