quarta-feira, 26 de outubro de 2005

AH, CLARICE...

"Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Clarice Lispector

terça-feira, 25 de outubro de 2005

MORTE É VIDA

Partes de mim eu matei algumas vezes. Não com alegria, não sem dor e erro. Mas matei por instinto de sobrevivência. Porque é preciso morrer um pouco para renascer inteira. De alguma forma, em algum lugar. Pra ver, de novo, o encanto da vida.

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

KÁTIA, CHRYSTINE E JULIANA

Quando a gente reconhece um amigo? Quando você está em casa numa quinta-feira à noite e seu telefone toca para te avisar que uma obscura cantora da década de 80 está aparecendo na novela das oito.

- Fala, Chrystine!
- Jussa, liga a televisão! A Kátia Cega está na novela da Globo. Tchau, amanhã a gente se fala.


Um segundo depois recebo uma mensagem no celular enviada por Juliana Lima:

- A Ktia cega tá na novela

Corro e ligo a TV. A imagem não está boa, mas deu para ouvir meus versos preferidos da cantora. É tão ruim que chega a ser divertido.

Não está sendo fácil,
não está sendo fácil.
Não está sendo fácil viver assim.
Você está grudado em mim.


Mas minha fixação por Kátia Cega não é pelas músicas. Peraí, meu gosto musical não é tão duvidoso assim. Para quem não sabe, a cantora apadrinhada por Roberto Carlos freqüentava os programas infantis da década de 80 e me intrigava. É que naquela época desconfiava que a deficiência visual dela era jogada de marketing. Afinal, ela nunca errava o pedestal.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

CONFISSÕES DE UMA INDECISA

Não me faltam motivos para votar NÃO. Também me sobram motivos para votar SIM. Diante desse impasse maniqueísta, eu até andei pensando não votar nem 1, nem 2. Mas votar 3 e deixar que a maioria decida por mim se vou viver num país em que o comércio de armas é proibido ou não. No entanto, como não me parece a melhor hora para me abster, passei as últimas semanas a fazer autodeliberações e ponderando prós e contras para me decidir sobre o referendo. E, acredite, ainda não cheguei a uma conclusão.

Diante disso, como parcela da população que não sabe o que fazer com o seu voto, virei o alvo principal das propagandas do SIM e do NÃO e dos entusiastas do 1 e do 2 que querem me convencer a todo custo a votar com eles. Infelizmente, essa questão para mim não é simples e óbvia como tentam me convencer. Porque às vezes dizer sim é dizer não. E vice-versa. Contraditório, mas plenamente possível.

Senão vejamos: posso, por exemplo, votar SIM pensando em diminuir a violência e empurrar para a ilegalidade gente que se sente segura com uma Taurus calibre 38 em casa ou na bolsa e ver fortalecido o tráfico de armas. Como posso também votar NÃO para defender meu direito de escolha e perceber que à medida que aumentam os lucros da indústria armamentista cresce o número de vítimas por disparos acidentais dentro de casa, em brigas familiares e no trânsito.

Porém, o que mais tem me incomodado é ver toda uma discussão sobre violência limitada a duas opções, que independentemente de qual seja a vencedora, sabemos não exterminará a criminalidade. Bandidos são abastecidos, sobretudo, com armas e munições da própria polícia e do exército. E, tenho plena consciência, vença 1 ou 2, que continuarão sendo e que nós continuaremos reféns da marginalidade e daqueles que deveriam nos defender. Tudo isso até que o Estado troque paliativos por ações contundentes e enfrentamento direto às causas que, dia após dia, constroem um poder paralelo.

Entretanto, o SIM insiste em dizer que ele garante a vida, enquanto o NÃO alardeia que ele pode dar segurança. Não é simples assim. Não é óbvio como tentam demonstrar. Espero, porém, até o dia 23 de outubro arranjar um motivo - unzinho que seja - suficientemente forte para que me decida e tenha a certeza de que no único momento em que a segurança pública passou pelas mãos eu soube o que fazer. Diferentemente dos políticos que demonstram tão pouca habilidade no assunto...

domingo, 2 de outubro de 2005

FUI EU QUE FIZ

Não eram nem sete horas da manhã de sábado quando cheguei à rodoviária de Volta Redonda. Como sempre faço, pegaria um ônibus para Barra do Piraí e de lá outro para Vassouras. Uma hora e meia depois estaria sentada numa das salas do bloco 1 da Universidade Severino Sombra onde acontecem as aulas de História Social. Neste último sábado, o assunto era Movimentos Sociais na América Latina. Era nisso em que pensava - mais exatamente na Revolução Cubana - quando ao passar em frente a uma banca de jornal da rodoviária fui tomada por um orgulho bobo. Quase inconfessável.

Três homens, que aparentemente não se conheciam, estavam parados lendo a primeira página do jornal aQui. A mesma que até às 20 horas do dia anterior estava ajudando a fazer. E aquele momento foi único. Melhor do que fazer pautas, apurar matérias e escrevê-las. Tão melhor que tive vontade de parar ao lado deles e avisá-los: "fui eu que fiz". Mas, pensei que eles ficariam mais satisfeitos se eu já estivesse preocupada com a próxima edição a ficar me orgulhando de notícia velha. Então, vi um deles ir embora, um comprar o jornal, outro ainda continuar por ali e tratei de pensar numa pauta para segunda-feira.