quarta-feira, 16 de novembro de 2005

ZUENIR, O CARRAPATO E EU

A pequena e encantadora cidade de Vassouras, no Sul Fluminense, está cada vez mais ‘perigosa’. É até um perigo gracioso e bucólico. Apesar disso, que ninguém ande muito tranqüilo naquele cenário século XIX. Em tempos de febre maculosa – o medo da vez – a cidade dos Barões entrou para o mapa de território de risco. É que vem de lá o carrapato – não se tem notícias que seja o mesmo – que mordeu a mim e a meu ídolo maior no jornalismo, Zuenir Ventura.

Zuenir conseguiu seu carrapato durante uma visita à Vassouras no projeto Tim Grandes Escritores. Conta ele que, ao subir num mirante para avistar a cidade do alto, um bichinho, até que se provasse o contrário de “boa índole”, sorrateiramente se agarrou a sua perna. Ao saber disso, comentei, por e-mail, com meu querido Zú (isso é só para os íntimos) que recentemente também havia sido vítima de um carrapato vassourense e que ele ficasse tranqüilo que se eu não havia morrido, ele provavelmente também não.

Meu carrapato foi conquistado durante uma aula de Sociedade do Brasil Império, na especialização de História Social da USS. Fui conhecer casa grande e senzala da Fazenda Cachoeira do Mato Dentro e trouxe para Volta Redonda de lembrança um carrapato na perna direita. Nada de febre alta, vômito ou dores no corpo. O máximo que senti foi uma incômoda coceira na panturrilha. Nada mais.

Como eu previa – embora esteja claro que carrapatos têm uma atração quase-fatal por jornalistas – assim como eu, Zuenir Ventura não morreu. Continua vivinho da silva, só que agora sabendo que temos algo em comum e que pode contar comigo. Esta lá em sua nova crônica:

Como vocês devem ter percebido, sobrevivi ao carrapato, que era, como se esperava, de boa índole, um carrapato do bem. Enquanto aguardava os sintomas, fui confortado pelas mensagens de algumas leitoras solidárias. Wera Keller, Fernanda Zattar, Jussara Soares e Ormond (duas Jussaras na mesma semana não é para qualquer um não), entre outras, me cercaram de carinho virtual. Já sei com quem posso contar quando sofrer um novo e sorrateiro ataque.

Preciso dizer mais o quê? Mestre Zú me citando em crônica e dizendo que pode contar comigo... ai, ai. Santo carrapato!

sexta-feira, 11 de novembro de 2005

ESCREVE, ESCREVE

Escreve. Escreve para eu ler. Escreve para eu te ver. Escreve pra me ter. Escreve para me entreter e pra te entender. Escreve enquanto é dia e quando é noite. Escreve enquanto não dorme. Acorda pra escrever, mas escreve. Escreve em garrancho ou em letra de forma. À mão, na velha máquina de datilografia ou no computador. Escreve no diário, no guardanapo ou no papel de pão. Em português, inglês, espanhol, latim ou em braile. Na língua que souber, escreve. Escreve o que quiser, mas não quando quiser. Escreve sempre. Escreve todo dia. Sem parar. Dá um jeito e escreve. Escreve prosa e verso. Inspira e escreve. Transpira e escreve. Mas, escreve.