sexta-feira, 31 de março de 2006

25

O tempo, como cismaram de defini-lo, é ridículo. Contá-lo de ano em ano, então, é uma angústia. É assim que, quase sem perceber, hoje já se vão 25. Pra quê contar em números progressivos o quanto se vive quando o que realmente importa é como se vive?

Porque posso acordar com o cansaço de um homem de mãos calejadas que trabalha de sol-a-sol e ir dormir com a leveza da alma de um bebê. Porque posso carregar a ranhetice de um velho teimoso e a alegria espontânea de uma criança. Porque posso compartilhar o desassossego juvenil e o comodismo senil. Porque posso alimentar sonhos para uma vida toda e a desesperança de toda uma vida. Porque posso querer tudo e não ter nada. Porque posso ter tudo e não querer nada. Porque posso ter muitas vidas de muitas idades, mas eu só tenho uma de 25.

Mas, esse meu choro - ah, esse meu choro quase incontrolável - não tem nada a ver com nada. É tão-somente aflição e ansiedade. Pelo que se foi. Pelo que há de vir. Por esse tempo inventado que perdi, pelo tempo que atropelei, pensando em ganhar. Pelo tempo que ainda tenho e não sei o que fazer com ele. Pelo tempo que quero ver passar, ora rápido, ora devagar até o dia que eu cansar e quiser voltá-lo ou pará-lo, não sei. Decido depois. Porque eu tenho 25, mas meu tempo é outro.

quinta-feira, 16 de março de 2006

NO MIMEOGRAPHO

Enquanto não volto a rasgar páginas por aqui, vai lá no Mimeographo ver como ando variando minha rotina. Só para variar é a crônica dessa semana.

segunda-feira, 6 de março de 2006

PREVISÃO DO TEMPO

Hoje amanheceu escuro.
Vê, como o céu se manchou de cinza!
Está tudo tão nublado por aqui:
— Acho que vou chover.