domingo, 24 de agosto de 2008

"SÃO PAULO, SÃO PAULO, QUANTA DOR!"


Para Thais Torres, a outra mina de Sampa



Desculpa, se eu ainda continuar chorando baixinho, se eu precisar do colo de um desconhecido para me amparar, se eu passar o resto dos meus dias me perguntando se foi uma distração toda essa solidão agora.

Vou passar a tomar café amargo numa tentativa desesperada de tentar entender essa vida doce, depressa demais para o meu desgosto.

Perdoa-me o egoísmo de não saber como vou fazer sem você aqui iluminando com seu sorriso os meus dias nublados em São Paulo. Ou para onde vou correr se, de repente, começar a garoar. E quando fizer frio? Você sabe como São Paulo pode ser gelada mesmo aos 35ºC... Vou pedir calor humano pra quem? Que abraço vai me fazer sentir em casa?

Dos nossos sonhos, dos nossos planos, das nossas piadas-internas? Faço quê? Guardo tudo para mim ou espalho para o resto do mundo?

Conversas dentro do ônibus pela Via Dutra voltando para o aconchego da nossa família e dos nossos velhos amigos, telefonemas no meio da tarde para saber se está tudo bem, e-mails que não chegarão mais às 13h57min, nossas conversas off-line de madrugada no MSN... Falamos tanto, abrimos o coração, confessamos os medos, revelamos os sonhos, mas ainda havia tanto a ser dito. E, agora, será que está tudo pairando no ar?

Estou com medo. De repente, me sinto mais uma na multidão de solitários, sem rumo, perdidos na cidade grande e cinza. Mas, olha, te prometo que usarei mais rosa, sua cor preferida em todos os tons. Será que assim você vai continuar me fazendo companhia?

Mas, para além da inevitável lamentação, fique principalmente com minha gratidão. Por ter me ajudado a sobreviver à "aglomerada solidão" de São Paulo, pela vida de turista que levávamos aqui: visita aos museus, passeios nos parques, caminhadas pela Paulista, fim de tarde na livraria, comprinhas no shopping e por me apresentar a Praça Benedito Calixto. Te agradeço por me avisar das comédias românticas na televisão, quando eu não queria sair de casa, por ter sido minha referência de família e por não me levar à Rua 25 de março. Foi legal ter você aqui para vibrar com minhas vitórias e por comemorar o seu sucesso comigo. Por ter me deixado sempre à vontade para te abraçar e dizer o quanto eu te adorava.

Obrigada por junto comigo ter desvairado com a paulicéia, dançado até o dia amanhecer, curtido o bom e velho rock’n’roll, e desafinado no karaokê cantando “Like a Virgin”. Além da saudade, fica a certeza de que ser feliz fez parte do nosso show, “mina”!