domingo, 8 de fevereiro de 2009

FÉRIAS DE MIM*

Às vezes, eu me canso. E não é só o cansaço do trabalho, é também o da minha dedicação continuada ao ócio. Não é apenas a exaustão de uma rotina de compromissos, é ainda a imprevisibilidade do que me espera num dia vazio. É o resultado das noites sem dormir e dos dias em que não consegui abrir os olhos.

Das longas caminhadas ao sol e após horas estirada numa rede na sombra, costumo chegar ofegante. Falta-me o ar. Suor. Dor no peito.

Trago nos ombros – cada vez mais arqueados – o peso das grandes obrigações e das pequenas irresponsabilidades. É a fadiga de quem corre contra o tempo e de quem vê, sem reação, o tempo correr contra.

Sinto-me sem forças para continuar e sem energia para parar. Seguir em frente ou voltar atrás, tanto faz. Será quase um esforço sobre-humano para quem traz desde sempre o cansaço da vida toda - a que se foi e a que há de vir.

Quando me repito em antigos dilemas existenciais e quando me inauguro em novos conflitos pseudofilosóficos, eu me canso – e aos outros também, mas não mais que a mim. E sigo cansando-me, cotidianamente, com meu repertório de acalorados discursos insensatos e com a lucidez apática da minha mudez.

Ah, como estou farta de tantos sonhos e não ter planos. De procurar tanta gente e não me encontrar em nenhuma delas. De me livrar (de tudo) e de me prender (a nada). De correr e não sair do lugar. De parar e continuar indo. De estar do lado certo e ir sempre na contramão. De inspirar. De expirar.

Tudo isso me cansa. É necessário dar um tempo de mim. Preciso de férias: pernas para o ar e para que te quero. Volto (a mim) em breve.


*Publicada originalmente no Mimeographo