quinta-feira, 4 de março de 2010

SEI LÁ, MIL COISAS

Amanheceu chovendo, não percebi e fui de sandália para a rua. Vou ter que pular a poça logo ali mais adiante, mas de salto pode acontecer de escorregar. Não dá tempo de voltar para trás e trocar. Não dá nunca. E o calçado de hoje é apenas mais uma inadequação de tantas. Já fui vegetariana em um rodízio, vesti camiseta de rock para me acabar no samba, ri quando não podia, chorei quando não devia. Sou imprópria para coisas práticas. E desmedida para a vida. Dei amor demais, dei amor de menos. O conforto me inquieta. A instabilidade me motiva. Sou feliz na adversidade. Impaciente para dias calmos. Faço meu alicerce apenas no que não é palpável: um sentimento, um sonho, uma vaga ideia. Está aí mais uma possibilidade de escorregão. E sigo nadando contra a corrente, andando na contramão, vivendo de clichê num mundo tão original.

Sei lá, mil coisas... E o pior é que hoje ainda estou sentindo frio nos pés.