quarta-feira, 16 de março de 2011

INSPIRADAS

Estou encantada pela obra da jovem artista plástica Camila do Rosário, de Florianópolis. Mais um desses talentos da arte digital e que a gente descobre, meio por acaso, na internet. Traços femininos e delicados, que buscam suas referências na moda e na literatura.

A ilustração abaixo me deixou especialmente emocionada por resgatar um poema de Ana Cristina Cesar - e um período em que Ana C. era minha companhia mais constante.

Inspiradas e inspiradoras essas moças.



P.S.: Para adquirir posters de Camila do Rosário vá ao Urban Arts.





segunda-feira, 14 de março de 2011

"DESENHE SEUS PRÓPRIOS PÉS"

Para Edma Nogueira

Cá estou a fazer o contorno dos meus pés, seguindo um antigo conselho seu, o mais sábio que ganhei e pelo qual teria investido uma boa quantia: “Desenhe seus próprios pés.” Observo as extremidades deles e encaro as deformidades não corrigidas na infância – e que um dia você notou, lembra? Seria essa a razão para passos, às vezes, tão vacilantes?


Nunca soube pisar duro, vou na ponta dos pés.

Passo o lápis rente à pele, o seguro firme para não escapar o traço. É para entender melhor os caminhos que meus pés vão apontar. “Vá por onde eles indicarem”: essa foi a segunda parte do seu conselho, que era um post-scriptum em o “Cântico Negro”, de José Régio. Aquele que diz: “Não, não vou por aí! Só vou por onde me levam meus próprios passos...”

E comecei a desenhar pelo pé esquerdo. O direito tem esse pressuposto de boa sorte que me incomoda. Quero o que vier e o que estiver pelo caminho. Dá medo, mas não há melhor modo para aprender, passo a passo, do que nas incertezas do próprio rumo. Garantias demais estragam as surpresas, intimidam o acaso. E o que eu mais quero é perder o fôlego a cada curva da estrada. Esta que meus pés acabam de me indicar.

Já sei por onde vou.

domingo, 13 de março de 2011

LUGAR NENHUM


"O lugar nenhum está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ele se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve o lugar nenhum? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar".

Eduardo Galeano