segunda-feira, 12 de setembro de 2011

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E se fez o silêncio. E é isso que não consigo suportar. Esse vão que suga as palavras e me coloca a anos luz de você. Um vácuo onde o som não se propaga. Há um universo inteiro sem prosa nem verso, canções e gargalhadas cúmplices, que nos afasta. Embora você esteja tão perto que, se eu sussurrasse ou deixasse escapar qualquer pensamento em viva-voz, você seria capaz de ouvir. Talvez você até me respondesse galante. As palavras gostam de você porque as trata com gentileza e devoção, mas também porque as seduz, pega de jeito para fazê-las suas. Poucos sabem dominá-las com tanta maestria. Por isso eu também gostei de você. Sou uma palavra, mas aquela que escapa. Foge, se esconde arredia, precipitando o ponto final. Foi o que fiz. Deu medo de chegar ao fim. E fui tomando distância a cada palavra não dita, a cada bom dia reprimido, a cada resposta que te neguei fazendo parecer que era uma mera distração. Não era. De propósito, joguei tudo neste poço sem fundo, neste talho que se fez entre nós. E em toda esta mudez só o que grita é a saudade de quando havia toda aquela conversa meio sem sentido que nascia porque a gente buscava um pretexto. Daquele tempo em que músicas diziam o que a gente não tinha coragem de dizer. Daquelas vontades que a gente se confidenciava baixinho no ouvido para ninguém saber do nosso segredo. Dos nossos sons que se propagavam em 40 metros quadrados e abafava todo o mundo lá fora. Daqui, do meu canto, emudecida, fico medindo esta distância toda que eu tomei com você tão perto, imaginando que palavra me levaria de volta a você. E me pergunto: neste vão de silêncio, as palavras não ditas poderiam, talvez, quem sabe, um dia, ter virado um romance?


7 Comments:

Felipe Cruz said...

Voltou com o blog?

Gabriel Araujo said...

Às vezes as palavras precisam do silencio para que possam ser ditas com verdade, né? Senão podem se tornar apenas "palavras apenas, palavras pequenas, palavras ao vento"

Editores said...

Belezura.

Editores said...

Belezura.

Anônimo said...

Obrigado antecipadamente e boa sorte, paginasrasgadas.blogspot.com! :)

Juninho said...

As palavras tem poderes... Mas pra se realizarem magia, é preciso: senti-las.
Sentir com elas e sentir por elas.
Lindo texto Catita! rs...

Nathália von Arcosy said...

Ah! Que saudade de você por aqui! :)